segunda-feira, 31 de agosto de 2009

venus volts


A MTV estreou nesse segundo semestre, em parceria com a produtora Mixer, a série "Descolados" que conta a história de três jovens que estão saindo de casa. Eles não são amigos, não se conhecem. Mas uma série de eventos casuais coloca os três juntos, dividindo o mesmo teto: um apartamento no centro de São Paulo, mobiliado com um pufe e um colchão. A música de abertura da série chama-se In Gold We Trust e é da banda de Campinas Venus Volts. Confira abaixo o clipe gravado ao vivo pela MTV:


segunda-feira, 22 de junho de 2009

viu, bee?!



O novo Hit da banda de Campinas JB e Seus Amigos Sex Symbols (que estará na #4 edição do fanzine Descontrole impresso) já está disponível no MySpace da banda. Você ainda não viu? Corre lá, porque até o Clodovil...

terça-feira, 12 de maio de 2009

quem é o dono da rua?

O jornal Correio Popular de 12 de Maio
de 2009 publicou um texto de Carlos Henrique, editor do Descontrole, a respeito
da não realização da Virada Cultural Paulista em Campinas. Leia abaixo o texto
na íntegra:
Nada melhor que a sensação de apropriação dos espaços públicos da cidade em que se vive. Poder sentir-se confortável quando abraçado pelos prédios e monumentos faz do cidadão um ser livre e, ao mesmo tempo, responsável. O ato de caminhar pelas ruas e ter contato com a história e a cultura que delas emanam, sem medo, provoca no sujeito encantamento e o leva a interferir de maneira cuidadosa, procurando preservar aquilo que mantém viva a memória de sua cidade. Acontece que, em Campinas, essa sensação não tem sido freqüente. O descaso com a coisa pública e a falta de uma política cultural que integre cidadão e rua impede que haja encantamento. Quando alguém caminha apressado num mar de concreto que não lhe diz respeito, não alimenta em si o sentido de cuidado tão necessário para dar vida aos espaços públicos. Dessa forma, prédios históricos, monumentos de concreto e praças públicas não passam de fachadas ultrapassadas e desnecessárias, já que não causam admiração no cidadão (que é incapaz de se perceber neles).

A apropriação se dá quando o espaço reflete o sujeito. A partir do momento em que o campineiro conseguir enxergar-se no espaço público, ele será capaz de cuidar (já que é livre e responsável). Enquanto isso não se dá, ele se apropria de maneira irresponsável: joga lixo no chão, depreda monumentos e picha prédios históricos. Observa-se que o poder público municipal tem interesse em manter a cidade limpa e cria mecanismos para isso (pintura de fachadas, instalação de lixeiras, campanhas anti-pichação). Entretanto, é possível notar que as políticas criadas não ajudam o cidadão a se perceber na cidade e continuam a busca da eliminação de fatores que estão na superfície sem procurar as causas mais prováveis desse descaso com a coisa pública.

Performances culturais espalhadas pela cidade são sinal de apropriação cuidadosa e exercício de eliminação do medo de andar livremente pelas ruas. Tem-se a impressão que dois mil e nove ainda não começou para a cultura em Campinas. A Estação não abre mais sua plataforma para shows aos domingos e os coretos permanecem ociosos nas praças do Centro. A não realização da Virada Cultural Paulista em Campinas é sintoma dessa política superficial que não privilegia a integração entre cidadão e rua. Um evento desse porte é capaz de pôr a cidade em movimento e reavivar os espaços públicos ociosos. O argumento da crise econômica mundial para a não realização do evento é equivocado, já que a cidade teve o orçamento aprovado no ano anterior e a Virada Cultural Paulista é proposta pela secretaria de cultura estadual. Arthur Achilles, secretario municipal de cultura, argumentou ao Correio Popular de cinco de maio que não haveria tempo hábil para as licitações dos equipamentos a serem utilizados. Entretanto, acredita-se que a Virada deveria constar no calendário da cidade (já que o evento acontece há dois anos em Campinas). A impressão que fica é a de manobra político-eleitoreira (dois mil e nove não é ano eleitoral).

Mais uma vez, perde-se a oportunidade de exercitar a saudável apropriação daquilo que, deveras, é público. Enquanto o cidadão não sentir-se integrado à rua, não haverá oportunidade de revitalização: a cidade continuará provinciana, pacata e sem criatividade. Até quando artistas e cidadãos antenados de Campinas precisarão deslocar-se para saciar a sua necessidade cultural? A pretensão de tornar-se uma metrópole se esvazia cada vez que a cidade se nega a movimentar-se internamente e sua alma permanece acinzentada e sem vida.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

tg


O Terminal Guadalupe, sem dúvida, foi uma das maiores bandas que o Brasil já teve. O anúncio de seu fim fez o Descontrole antecipar a republicação da entrevista concedida à nossa #3 edição. Enquanto lê, escute as músicas do TG no próprio site da banda.
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Uma das bandas mais promissoras do rock nacional, Terminal Guadalupe (Curitiba) vem trilhando um caminho interessante desde o início da década. A pré-história da banda se dá com Dary Jr. fabricando canções para o filme “Burocracia Romântica”, em 2003. Depois veio uma coletânea chamada “Girassóis Clonados” (2004) e, para firmar a formação da banda, em 2005 foi lançado o disco “Você vai perder o chão”, primeiro álbum de rock do país a ser lançado em formato SMD (Semi-Metalic Disk). Além de Dary Jr (voz e letras), o TG é composto por Allan Yokohama (guitarra e voz), Fabiano Ferronato (bateria), Lucas Borba (guitarra, integrado à banda após a gravação de “A Marcha dos Invisíveis” (2007). Rubens K, que tocava baixo, hoje já não faz parte da banda.
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Terminal Guadalupe era o que faltava na música pop brasileira. Desde Cazuza e Legião Urbana não surgem bandas com letras tão significativas e críticas. A já extinta Violins (Goiânia), os acreanos do Los Porongas e o Terminal Guadalupe vieram pra preencher uma lacuna que permaneceu por, pelo menos, uma década na história do rock nacional. O vocalista Dary Jr. falou com o Descontrole em entrevista exclusiva: “É uma honra ser colocado ao lado de quem sou fã. Se, juntos, conseguimos preencher uma lacuna, ainda é cedo para dizer. O fato é que as boas letras sempre foram uma tradição da MPB que o rock nacional tentou manter. Infelizmente, o texto piorou dos anos 90 para cá. As exceções (Chico Science, Marcelo Yuka, Marcelo Camelo) confirmam a regra”. As influências do TG passam, mesmo, pelas letras do rock nacional dos anos oitenta e, ainda, pelo barulho das bandas dos anos noventa. A banda define o seu próprio som como sendo “Pop de Garagem”. “O rótulo é uma brincadeira com a imprensa de carimbo”, explica Dary. “Resolvemos nos antecipar, só isso. Já viu quantas classificações existem por aí? Às vezes, essas tentativas de definir um som mais confundem que esclarecem. Acredito que o Terminal Guadalupe faz parte de uma linhagem de bandas que não falam bobagens e tocam direitinho. Aliás, aproveito para registrar que nada temos contra quem fala besteiras e toca mal (risos)”.
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O nome da banda é uma referência a um lugar específico da capital paranaense. “Toda metrópole do Terceiro Mundo tem um lugar como o Terminal Guadalupe, uma estação de ônibus freqüentada por todo tipo de gente, de prostitutas a missionários, de donas de casa a traficantes, de ladrões a trabalhadores exemplares - a maioria, tratada como estatística. Não é cartão-postal, não é prédio histórico, não é cosmético. O Terminal Guadalupe é onde começa e acaba o mito da cidade perfeita”.O tom politizado de algumas letras parece não tirar o espírito de diversão do grupo que permite um som pop em algumas canções (“De Turim a Acapulco” gruda como se fosse chiclete). As dez canções de “A Marcha dos invisíveis” poderiam muito bem tocar no rádio. “De que adianta um discurso que não te emociona? É preciso que a música funcione. Sim, a gente se diverte na busca desse equilíbrio entre o que cantamos e tocamos. Normalmente o Allan (Yokohama, guitarrista) traz uma música que eu 'edito' com ele antes de fazer a letra. Depois, levamos essa estrutura para banda lapidar nos arranjos. É o nosso método de trabalho”. O disco foi gravado no estúdio Toca do Bandido, idealizado por Tom Capone e que já registrou Wander Wildner e Maria Rita. Os músicos da banda não chegaram a conhecer Tom Capone: “ele já tinha morrido quando conhecemos o estúdio” (Tom faleceu num acidente de moto quando trafegava por uma importante avenida de Los Angeles, após deixar a cerimônia do Grammy que premiava Maria Rita, em 2004). A gravação na Toca fez com que o disco ganhasse uma qualidade especial. “Fomos gravar lá por insistência do produtor Tomás Magno, que se ofereceu para trabalhar conosco em “A Marcha dos Invisíveis”. Deu no que deu: um álbum com qualidade gringa”.
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O TG é uma banda independente, mas possui um odor pop que garante à banda a possibilidade de um grande sucesso. Os críticos têm elogiado a banda e colocado-a par à par com grandes nomes do rock nacional (Legião Urbana, por exemplo). O que a banda pensa sobre a possibilidade de um enorme sucesso? “Nós não perseguimos o sucesso, mas estamos preparados para ele e gostaríamos de viver a experiência de estar na boca do povo com as nossas canções. O desafio é alcançar esse nível sem compor com o estômago, sem abdicar de convicções, sem vender a alma”. Os integrantes da banda ainda não conseguem dedicar tempo integral á música: “não chegamos nesse estágio, mas acreditamos que viver de música possa virar realidade”.
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Com disco novo esperado para o final de 2008, o Terminal Guadalupe tem percorrido um caminho de prestígio (“A Marcha dos Invisíveis” – 2007 – configurou entre os melhores do ano em diversas listas de críticos, sites e revistas) e traz de volta alguns elementos importantes que o rock nacional tinha deixado para trás. Estiveram em Campinas, em janeiro, para uma apresentação mais que eletrizante no Bar do Zé, ao lado de Radiare (também nesta edição do zine) e têm percorrido o país com seus shows e boas intenções roqueiras. Neste ano, ainda lançaram um disco ao vivo não oficial chamado “Como despontar para o anonimato” (disponível para audição no MySpace da banda). Visite os sites, ouça as músicas e conheça o TG:

sexta-feira, 3 de abril de 2009

del-o-max


Essa entrevista com a banda Campineira Del-O-Max foi o carro chefe da nossa #2 edição. Enquanto a edição #4 não sai, vamos reler aquilo que o DeSCoNTRoLe já produziu de melhor:
EU NÃO QUERO SER EU!

Hey! Qual é o estilo musical mais popular do mundo? Desde os anos 50, com um pezinho na cultura norte-americana e o outro querendo dar um passo que atingiria o mundo inteiro, o rock’n’roll vem fazendo sujeitos chacoalharem o esqueleto e já passou por inúmeras transformações, já ganhou não sei quantos rótulos, já realizou um sem-número de combinações, mas manteve algumas características intactas até aqui. Quantas vezes se ouviu falar que o rock morreu? Têm dito por aí que, hoje, só o que as bandas fazem é dar uma requentada no que já foi apresentado por alguém em determinado período. Mas uma das características que define o rock é exatamente a sua heterogeneidade e a capacidade que tem de se reciclar e reinventar.

O Del-O-Max, banda de Campinas formada por Guilherme Campos (voz/baixo), Maurício Struckel (guitarra/voz), Renato Henriques (baixo/orgão) e Alessandro Soave (bateria), reconhece-se como uma banda inspirada por um apanhado geral da história do rock simples e sujo. Mas quem prestou a atenção na formação da banda descrita acima, percebeu que há uma peculiaridade (que, já na primeira audição, deixa claro que o Del-O-Max não é só mais uma bandinha underground do interior): são dois baixos! Em 2007 a banda lançou “Too Hard”, seu melhor trabalho até aqui, e quase entrou para a história como a banda brasileira que gravou o último disco de vinil nacional (não fossem os subsídios do governo para manter a PolySom em funcionamento, “Too Hard” teria sido o último registro em vinil realizado em solo brasileiro). Contudo o Del-O-Max faz história não por qualquer imprevisto afortunado, mas pela qualidade do trabalho de amigos que se unem pela diversão: “começamos a tocar simplesmente por gostarmos de música”, afirma Renato. Seu trabalho tem qualidade e se destaca em meio ao cenário atual do rock feito pelas bandas de cá. Em 2004 a galera de Campinas chegou a dividir o palco com os escoceses do Teenage Fanclub: “Fizemos um bom show nesse dia”, lembra Guilherme Campos, “foi mais divertido que qualquer outro... mas o interessante mesmo foi a festinha que rolou depois! Sempre imaginei que escoceses bebiam Whiskey... é verdade!!”. Renato completa: “Sem dúvida ter aberto para o Teenage Fanclub foi um dos pontos altos na carreira da banda. O Teenage é uma das unanimidades que temos na hora de ouvir um som em casa, etc. Assim foi legal irmos vendo a banda crescer, a ponto de podermos tocar ao lado de uma banda que já gostávamos antes da nossa existir e, ainda, termos uma reação bastante positiva do público que estava lá, sobretudo, para ver os escoceses”.

A gravação do último disco tem qualidade bastante superior que os registros anteriores e, apesar de ter decidido lançar o disco em formato de vinil, o Del-O-Max não fugiu dessa nova configuração da música. Fala aí, Renato Henriques: “acreditamos que a disponibilização de arquivos MP3 e similares de fato democratizou a música. Antes você ouvia apenas o que era vendido em lojas, o que refletia as imposições da indústria fonográfica. Com o MP3, praticamente toda a música do mundo ficou disponível, assim, cabe ao ouvinte escolher se quer ouvir uma banda de garagem da Turquia dos anos 60, ou um novo hit, trilha de algum filme sucesso de bilheteria. Antes essa escolha não era possível. Se quisesse algo diferente, tinha que encomendar o disco – o que era caro – e, assim, não dava para arriscar muitos tiros no escuro. Por outro lado, crescemos indo em sebos de LPs no sábado de manhã e cultuamos uma estética ‘vintage’. Assim todos nós acabamos ficando com um certo ‘fetiche’ por discos de vinil. Conseguimos a chance de também fazer o nosso e ficamos extremamente felizes com o resultado. Assim, demos aos fãs duas alternativas. Se gostarem de nossa música, ou quiserem conhecer, podem entrar em http://www.del-o-max.com.br/ e baixar o disco inteiro e se quiserem passar para os amigos, melhor ainda. Por outro lado, se preferirem um objeto colecionável e bem produzido, podem adquirir o disco em vinil, pois escolhemos o melhor estúdio, papel, gráfica e gramatura do LP que foi possível para a banda”. O Guilherme vai um pouco além e liga essa nova realidade da música com a relação que os artistas têm com as gravadoras: “é ótimo ter opções, poder escolher, e melhor ainda poder conhecer antes de escolher. Finalmente as coisas funcionam assim. Isso é um problema para as gravadoras, talvez”.

“Too Hard”, mesmo antes de nascer, tinha a pretensão de soar cru e pesado. A intenção da banda era mostrar seu trabalho tal qual como quando se apresenta nos shows. O baixista Campos se orgulha: “Too Hard é o melhor do Del-O-Max, com certeza, nesse disco a gente conseguiu se manter o mais fiel possível ao que as pessoas vêem nos palcos”. E o baixista Henriques explica o processo de gravação: “pela primeira vez, acreditamos que conseguimos captar em uma gravação a energia e ‘massa sonora’ que conseguíamos ao vivo. No disco, de fato é a banda tocando e quase que não há efeitos adicionados nem nada assim. É o Del-o-max tal como é no palco, com algumas camadas sonoras acrescidas, já que tivemos um bom estúdio à disposição para tal”.

As músicas da banda são em inglês e prezam por um clima essencialmente rock’n’roll, festeiro, garageiro, jovem. Um pouco diferente do que a cidade de Campinas está acostumada a oferecer para os fãs da música pop. Aliás, Campinas tem, ainda, uma cultura bastante provinciana, pacata, conservadora no que diz respeito à música. Isso, talvez, seja um dos motivos para a dificuldade de se criar, aqui, um conjunto de fatores que aqueça o cenário da cultura pop local. Elementos não faltam: boas bandas, bons bares, lojas de discos, estúdios de arte, iniciativas pessoais, publicações... O que falta? “O que falta é as pessoas esquecerem a cultura de panelinhas (e de cada uma delas se achar ‘a cena’) e saírem de casa. Pois o resto (bares, bandas, centros culturais, etc, etc) não falta por aqui – e é uma das cidades onde os ingressos de shows e a cerveja são das mais baratas. Não entendo muito o pessoal daqui não (risos)! Falta também as bandas quererem tocar para as pessoas, e não somente para os membros das outras bandas”, reflete Renato. Guilherme continua: “querer as bandas querem... e pra dizer a verdade, querem até demais... falta mesmo é a massa. Como se faz um bolo sem a massa? Bolo de cobertura? Nunca vi isso dar certo... mas em Campinas as pessoas esperam isso, que a cobertura resolva o problema da falta de massa. É impossível! qualquer receita de bolo diz isso!”.

O próprio Del-O-Max tem algumas iniciativas que conspiram para uma junção dos fatores existentes na cidade. O Radi-O-Max é um projeto em que os membros da banda apenas discotecam e trazem bandas e DJs convidados: “acaba trazendo bem à tona o gosto musical de cada um dos nossos integrantes, e ainda acabamos beneficiados com os intercâmbios que fazemos (não só pela troca em si, mas também pela chance de podermos trazer e ver ao vivo bandas que gostamos bastante)”, explica Renato que, na época do Clube Informal, mantinha o ModClub, uma festa em que tocava garage 60s e 00s entre outras coisas: “estou sempre levando projetos assim a diante, mesmo que efêmeros. Após a ‘pausa’ do Informal, ainda cheguei a mexer em atividades bem semelhantes em locais como o Bar do Zé (Campinas) e Astronete (São Paulo). Mas com as últimas conversas que tive com o Alcides (Informal) tudo indica que o projeto deve continuar, mesmo que esporádico”.

Será que além de Renato Henriques os outros membros da banda têm projetos “paralelos”? É ele mesmo quem responde: “sim! Nós todos temos contas à pagar, já estamos envelhecendo (risos) e só a banda não consegue sustentar o estilo de vida que queremos. Assim, todos nós temos trabalhos ‘comuns’ e também outras atividades diferentes de trabalho. O Guilherme (voz/baixo) é um ótimo fotógrafo e utiliza esta expressão tanto como trabalho quanto como arte. Vem também se entusiasmando bastante com a música eletrônica. O Alessandro (bateria) vem conseguindo destaque nos bastidores da TV UNICAMP e é um grande entusiasta de atividades ao ar livre, sobretudo em locais ‘inóspitos’, como Patagônia, Pantanal, etc. O Maurício também toca guitarra no Radiare, que recentemente teve destaque no MTV Banda Antes. Ele é arquiteto, mas tem direcionado sua carreira cada vez mais para o Web Design. Eu (Renato/Baixo) no momento estou trabalhando com Biodiesel, e tal como o Maurício (além de ser um grande entusiasta do Design), coleciono miniaturas de carros antigos (o submundo dos carrinhos é bem mais barra-pesada que o do rock, sério mesmo!), sobretudo aqueles ligados a algo que gosto bastante, que são as contraculturas dos anos 60 (hot rods, low riders, etc, são algumas categorias de carros ligados a elas). Em http://www.fotolog.com/hotminis ou http://www.flickr.com/photos/hotminis há algumas fotos trabalhadas digitalmente de carros da minha coleção”. E Guilherme Campos dá o recado final: “por falar nisso... venceu nossa conta da sala de ensaio desse mês!! e o domínio da internet!! Olha o chapéu passando de novo!!”

Não, não é fácil estar conectado ao mundo da música pelo cabo da independência. São inúmeras as dificuldades que uma banda tem que enfrentar e somente o amor à causa é capaz de sustentar realidades como o Del-O-Max. O fato de a banda se ver como um grupo de amigos disposto a se divertir, faz com que essa paixão pelo rock’n’roll venha à tona. As marcas disso ficaram impressas no último trabalho dos meninos de Campinas, o “Too Hard”. Esse registro prova a capacidade que uma banda tem de se interessar pelo passado e pela preservação de alguns elementos que muito significaram (e significam) para a história da música e, ao mesmo tempo, a possibilidade de se manter antenada aos sinais dos tempos e responder às necessidades de seus contemporâneos. O fato de o Del-O-Max ter lançado o disco nos dois formatos é como que uma representação concreta daquilo que é mesmo o som da banda. Só ouvindo pra saber do que se trata.

quarta-feira, 18 de março de 2009

pato fu


PODE ACREDITAR!

O Descontrole, para a sua primeira edição, conseguiu uma entrevista exclusiva com Fernanda Takai, do Pato Fu, confira aí!

O que faz uma grande banda dizer adeus ao mainstream para abraçar o
mercado independente? O Pato Fu, com seu novo disco, volta a experimentar o
gostinho de fazer música sem estar ligado a uma grande gravadora


Quando surgiu, no começo dos anos noventa do século passado, o Pato Fu era tido como banda alternativa (porque, naquele tempo, tudo o que era pelo menos um pouco “esquisito”, era rotulado assim). O primeiro disco da banda, Rotomusic de Liquidificapum foi lançado em 1993 por uma gravadora independente. Logo em seguida, o Pato Fu ingressou numa aventura mainstream com direito à hits em grandes rádios e até faixas incluídas em trilhas de novela. Com o disco Toda Cura Para Todo Mal, de 2005, a patota voltou a figurar entre os independentes, apesar da distribuição do disco ter sido feita pela SonyBMG. O importante é que as masters da gravação ficaram nas mãos dos mineirinhos e não no poderio de uma grande gravadora, o que impossibilita, por exemplo, que alguém resolva fazer uma coletânea não autorizada com as músicas da banda.

DESISTA DE SER SEMPRE VOCÊ
É difícil fazer comparações entre os discos do Pato Fu porque, desde o início, cada álbum retrata uma fase distinta de uma ban-da bastante mutante (desculpe o trocadilho, leitor, não tenho a intenção de equiparar, mais uma vez, o Pato Fu à banda do Sérgio Dias). Aliás, essa é uma característica inte-ressante que ajuda a medir a honestidade que o músico é capaz de imprimir em seu trabalho. Se o artista representa o seu tem-po, um bom disco deve ser o registro daquilo que se vive naquele momento e não uma repetição de fórmulas. Por não seguir fórmu-las, a banda do John, do Ricardo, da Fer-nanda, do Xande e do Lulu se reinventa a cada novo trabalho e consegue surpreender aos fãs e até mesmo aos que estão passan-do desapercebidamente. A galerinha optou por lançar seu novo álbum em formato virtu-al, antes do físico. As doze faixas de Daqui pro Futuro foram disponibilizadas para download na loja virtual da UOL e o disco completo pode ser baixado por R$9,90. Com esse novo trabalho (lançado em Outubro deste ano) O Pato Fu voltou ao mercado independente (a distribuição é feita pela Tratore): “Foi uma escolha natural. Já tínhamos experimentado o mercado independente no início, depois passamos 10 anos dentro de uma gravadora grande [BMG] com total liberdade artística. Quando o negócio começou a ficar estranho: os contratos pio-res, as verbas menores, não fazia sentido continuar”, conta Fernanda Takai. No formato físico, o CD não contém aquela já clássica inscriçãozinha: “Proibida a reprodução, execução pública e locação desautorizadas sob as penas da Lei”. Que o consumidor interprete isso à sua maneira.

Daqui pro Futuro veio mais calminho, um disco de uma banda pop madura e, apesar de inovadora, coerente. “Acho que a gente não é muito panfletário. Sempre acabamos apontando o dedo pra nós mesmos. Nossas incertezas, nossas alegrias e tristezas. Às vezes travestimos um tema mais sério com um arranjo mais pra cima. Talvez o Pato Fu não consiga ser nunca purinho. A gente é meio vira-lata nesse sentido.” As letras do novo disco, como as de anteriores, tratam de temáticas existencialistas com bastante propriedade. O Pato Fu não hesita em fazer canções que, embora se configurem como música pop, contém letras capazes de pro-vocar as pessoas a refletir sobre escolhas, amor, sexualidade, família, política, religião, violência, tempo, fama, liberdade e outros temas tão ou mais profundos. Isso ajuda a sustentar aquela teoria de que a música, ho-je, tem um papel importantíssimo na formação crítica do indivíduo, tarefa que até pouco tempo atrás era de incumbência dos livros e da literatura como um todo.

Fernanda Takai sussurra nas canções muito bem construídas de Daqui pro Futuro alguns recadinhos “maldosos” aos que colocam o disco novo da banda em sua playlist. O fato de as letras do Pato Fu estarem apontando o dedo para o indivíduo faz com que seu conteúdo esteja bastante conectado a uma certa filosofia existencialista. Em Espero, de Fernanda e John, pode-se ouvir: “Dizem que não sirvo pra gostar de ninguém, que não faço nada que não seja pro meu bem. Falo coisas de mau gosto, não posso evitar, e há quem mesmo vire o rosto ao me ver chegar”. Palavras que lembram personagens inventados por Jean-Paul Sartre ou por Clarisse Lispector em suas obras. Aliás, no novo disco há uma canção com o título A Hora da Estrela, uma certa referência à obra da escritora brasileira. Entretanto, a letra não fala da Macabéia, mas de alguém que está prestes a assumir um sucesso instantâneo, como essas pessoas que entram em evidên-cia por meio de reality shows ou escândalos midíáticos. Woo! tem clima setentísta, lem-brando os Mutantes (ops!) ou, talvez, Secos e Molhados. Pela primeira vez, aparente-mente, os patinhos falam sobre a temática homossexual, convidando o sujeito a “sair do armário”: “Veja como é ótimo, não tenha medo, conte seu angélico segredo”. Mas a canção abre espaço para uma interpretação mais anárquica quando faz uma interpelação para que se largue tudo e vá à forra, can-tando que “a confusão pode ser doce, a perfeição pode matar”. Mamã Papá nos remete, à primeira audição, à Nina, filha do casal Fu, por causa de suas considerações sobre a responsabilidade de se iniciar uma família. Tudo Vai Ficar Bem, com a partici-pação estrangeira de Andréa Echeverri (Aterciopelados), leva o ouvinte a conhecer o engajamento político-social da banda. A Verdade Sobre o Tempo trata a maturidade com uma visão filosófica um pouco mais ousada que a de Almir Sater em Tocando em Frente. Deus também desce do céu pra cantar “Quem não sou” (com participação especial do robozinho de Simplicidade). Nada Original apresenta a vida desgastada de um casal que vive uma rotina intermitente e 1.000 Guilhotinas reflete sobre a guerra. 30.000 Pés e Vagalume são a face mais pop do disco que, como todo mundo já sabe, carrega ainda uma versão super maneira de Cities In Dust do Siouxsie & The Banshees.

Um pouco às escondidas, o Pato Fu se caracteriza como uma das mais respeitadas bandas do Brasil. Surgida numa década um tanto turbulenta, sustentou um jeito de ser próprio que, apesar de mutável, não desa-grada aos fãs que acompanham o trabalho da banda desde o comecinho. A partir do rompimento com a ex-gravadora, vem assumindo uma nova forma que, possivel-mente, fará com que o Pato Fu se configure entre os melhores do mundo (como já foi classificado, nos tempos do Ruído Rosa, por uma revista estrangeira). “O ‘Toda Cura...’ já foi um exercício de independência mas era distribuído ainda pela SonyBMG. Este ano percebemos que havia mais agilidade e satisfação pessoal mesmo no trabalho com gente que gosta e acredita na nossa música de verdade. E tem sido muito bom! Hoje é bem melhor ser independente que no come-ço dos anos 90, quando nem internet havia...”. Talvez este seja o aval do Pato Fu às bandas novas que vem surgindo e fazendo com que a música brasileira dê um salto de qualidade em direção à universali-dade da arte e da catarse pop que faz o mundo se conectar para além de interesses comerciais. Assim seja!

segunda-feira, 2 de março de 2009

wonkavision

Que tal rever as entrevistas que já foram publicadas nas edições impressas do descontrole? Achamos que seria legal disponibilizar aqui no site os textos que nos deixaram orgulhosos de ter um fanzine! E, em breve, a edição #quatro repleta de novidades e exclusividades!

Para começar,
WONKAVISION

NEM TODO MUNDO É IGUAL

Numa efervescência de

bandas parecidinhas,

o rock nacional ganha uma visão ao mesmo tempo

colorida e sinistra

por meio da gaúcha Wonkavision

A infância nos anos oitenta cheirava a pipoca e “sessão da tarde”. Engraçado como se repetiam vários filmes, alguns deles clássicos, como o incrível musical Willie Wonka and The Chocolate Factory, de 1971, mais conhecido por aqui como A Fantástica Fábrica de Chocolate. Pouco mais de trinta anos depois, uma nova versão do livro de Roald Dahl foi rodada, Charlie and the Chocalate Factory, com Jhonny Depp no papel do divertido e macabro Willie Wonka. Divertido e macabro, como o rocknroll, né? No início dos anos 2000 uma banda lá de Porto Alegre, com a pretensão pop de soar sinistra tendo como plano de fundo um cenário multicolorido, foi batizada de Wonkavision. Em 2004 lançaram seu primeiro álbum, produzido pelo John (Pato Fu) e distribuído de maneira independente. Sem medo do pop[1], o Wonkavision caprichou em um disco de ótima qualidade, guitarras distorcidas e um moog que já é característico. Recentemente, gravaram suas músicas em inglês, para o lançamento de um disco no Japão, e disponibilizaram todas as faixas no Trama Virtual. “Não foi fácil regravar as vozes em inglês. Isso porque o trabalho de voz da Grazi [ex-baixista do Wonkavision] no disco é maravilhoso, ela é uma grande cantora, então sempre tem a comparação com o que já estava gravado na voz dela. E ainda por cima não tive muito tempo pra trabalhar as músicas, treina-las em inglês, enfim. A situação da gravação foi bem corrida. Mas felizmente cumpriu com as expectativas e o CD ficou legal. O CD teve uma boa recepção no Japão, mas o ideal seria fazer shows lá pra divulgar o disco. Essa oportunidade surgiu, mas infelizmente não tivemos patrocínio pra viajar pra lá, aí ficou difícil. Mas quem sabe esse ano?”, diz Manu, em entrevista exclusiva ao Descontrole.

Com a saída da Grazi, o Wonkavision incorporou um músico que fez parte da extinta Vídeo Hits, o Gustavo. “O Guzz é um puta baixista!! Além ser uma pessoa maravilhosa. A entrada dele na banda só nos trouxe alegria e a influencia dele no disco novo foi decisiva, não só no baixo, mas nos outros instrumentos também. O Guzz tem um ótimo gosto musical também por isso suas idéias sempre foram bem-vindas”. Disco novo? “O disco já está gravado e está em fase de pós-produção - o que é algo demorado. Estamos com planos de lançar as musicas na medida em que elas forem ficando prontas. Esse é o projeto pra 2008. Foi gravado em Porto Alegre/RS e também em Gramado/RS. As músicas estão bacanérrimas!!!” A banda, com esse novo trabalho, se rende à nova configuração da industria cultural (se é que ela ainda existe): “somos a favor da distribuição das musicas na rede, acredito que esse é um caminho sem volta. Ao mesmo tempo que impede que grandes gravadoras ganhem dinheiro com vendas de musicas, proporciona espaço para muitas outras bandas que nunca seriam ouvidas se não existisse a internet”. O Wonkavision já começou a disponibilizar as faixas de seu novo disco (será lançada uma faixa por mês, até completar as doze que formarão o álbum novo). A primeira música, “O ímpar perfeito”, já pode ser baixada no site da banda (www.wonkavision.com.br).

Leo Vinhas, em um texto do Scream & Yell[2], escreveu que “o Wonkavision faz o possível para não passar para a ‘história’ como mais uma banda cult à qual só jornalistas e meia dúzia de fãs garimpeiros (que curtem mais a idéia de ter um som pouco conhecido do que a música em si) têm acesso”. O que é, afinal, o pop? “Qualquer banda quer que sua música toque pra caramba por aí. Lembro que até o Cardigans respondeu isso na coletiva de imprensa deles em Floripa quando os jornalistas perguntaram... Não acredito que ser do mainstream ou do underground seja uma escolha. Mas acredito que de qualquer forma o mercado fonográfico mudou muito nos últimos anos, pra qualquer tipo de artista, mesmo os do mainstream. Acredito que hoje o artista tem que estar mais envolvido com sua carreira e os caminhos que quer percorrer com ela, porque senão é difícil se manter no mercado. A Fernanda e o John (Pato Fu) continuam sendo um exemplo pra nós enquanto artistas, já o que o envolvimento deles vai muito além de compor e gravar musicas. A Fernanda acabou de lançar um ótimo livro e regravou diversos sucessos da Nara Leão, ficou muito bonito. Esses novos produtos são fruto do esforço dela, curiosidade dela em criar cada vez mais e não simplesmente uma idéia aleatória ou comercial de um produtor”.

Manu afirma que, apesar de discutirem diariamente assuntos como problemas sociais, pobreza e capitalismo, as músicas do Wonkavision estão mais preocupadas com o universo do indivíduo em seu cotidiano solitário. A banda “fala de questões que são comuns a todas as pessoas como ciúmes, relacionamentos amorosos, amor, traição, planos para o futuro”. As letras são do Will e tem uma dimensão filosófica/existencial. Manu acredita que “cada pessoa é absolutamente responsável por aquilo que lhe acontece por mais absurdos que os acontecimentos possam parecer, e que os acontecimentos em si estão diretamente ligados com a visão que temos do mundo”. Fica para o fã da boa música a tarefa de refletir sobre como seria a vida de quem possui uma wonkavision e de ficar atento aos novos lançamentos da banda pelos sites da internet.



[1] “sabemos que o Brasil é um país onde a cultura maciçamente consumida é a massificada, aquela que está nos canais da TV, nas rádios. Acredito que aquilo que recebe investimento desses meios de comunicação acaba virando POP, não importa a qualidade. Por isso tem coisa POP muito boa ou muito ruim, isso não importa. O que é bom e o que é ruim?? (essa fica pra próxima entrevista... hehehe)” – explica Manu.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

top five 2008


O fanzine descontrole também têm listas de melhores do ano. Como no ano passado, publicaremos as listas dos nossos dois editores, William Lima e Carlos Caetano. Em breve lançaremos uma edição especial com comentários sobre as escolhas realizadas. Feliz 2009!

TOP FIVE by William Lima

Disco Internacional
1) Oracular Spectacular (MGMT)
2) The Odd Couple (Gnarls Barkley)
3) Third (Portshead)
4) Accelerate (R.E.M.)
5) Jukebox (Cat Power)

Disco Nacional
1) Japan Pop Show (Curumin)
2) Pareço Moderno (Cérebro Eletrônico)
3) Buscador (Momo)
4) Terceiro Mundo Festivo (Wado)
5) Punx (Guizado)

Música Internacional
1) Viva La Vida (Coldplay)
2) Time to Pretend (MGMT)
3) Many Shades of Black (The Raconteurs)
4) White Winter Hymnal (Fleet Floxes)
5) Another Day (Jamie Lidell)


Música Nacional
1) Tudo o que eu sempre sonhei (Pullovers)
2) Dê (Cérebro Eletrônico)
3) Magrela Fever (Curumin)
4) Fita Bruta (Wado)
5) Tchubaruba (Mallu Magalhães)

Filmes
1) Batman - o Cavalheiro das Trevas (Christopher Nolan)
2) Onde os Fracos Não têm Vez (Ethan e Joel Coen)
3) Linha de Passe (Walter Salles e Daniela Thomas)
4) Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Sidney Lumet)
5) Vick Cristina Barcelona (Woody Allen)


TOP FIVE by Carlos Caetano

Disco Internacional

1) The Odd Couple (Gnarls Barkley)
2) Modern Guilt (Beck)
3) Oracular Spectacular (MGMT)
4) Vampire Weekend (Vampire Weekend)
5) Jukebox (Cat Power)

Disco Nacional
1) Japan Pop Show (Curumin)
2) Terceiro Mundo Festivo (Wado)
3) Na Confraria das Sedutoras (3 na Massa)
4) Estudando a Bossa (Tom Zé)
5) Mallu Magalhães (Mallu Magalhães)

Música Internacional
1) Kids (MGMT)
2) Blind Mary (Gnarls Barkley)
3) Great DJ (The Ting Things)
4) Pump (B 52's)
5) Out At The Pictures (Hot Chip)

Música Nacional
1) Tudo o que eu sempre sonhei (Pullovers)
2) Magrela Fever (Curumin)
3) Pendurado (Wado)
4) Desabafo (Marcelo D2)
5) Paper Boards (Venus Volts)


quinta-feira, 20 de novembro de 2008

rock'n'beats

Para comemorar o seu primeiro ano, o Fanzine Descontrole lança a terceira edição recheada de coisas legais e publica aqui no blog três matérias que estiveram presentes numa edição especial: Charme Chulo, P-Project e JB e Seus Amigos Sex Symbols. Por falar em JB, a banda estará tocando hoje, na festa Rock'n'Beats que acontecerá no Bar do Zé, a partir das 22h.

editorial descontrole#3

Já saiu o Descontrole#3
Procure o seu!



Sem termo-nos tornado um fenômeno cultural, mas já próximos de ser referência de informação em Campinas, chegamos à nossa 3ª edição repletos de boas intenções e novidades. O zine mantém sua qualidade editorial entrevistando uma banda que se destacou no cenário da música independente brasileira: diretamente de Curitiba, Paraná, Terminal Guadalupe aceitou falar conosco e se configura como carro chefe dessa edição. De Campinas, Radiare, numa matéria mais do que especial. Diretamente do inferno para as sete encruzilhadas, um grupo de Fortaleza que marca presença nos festivais alternativos do país: o Montage. Nessa edição, as novidades ficam por conta das resenhas (de disco e filme), da coluna de moda (estrelada por Aline Rojas) e da quantidade de páginas (que aumentou um pouquinho). Nossa seção de literatura continua bombando, com texto de William, um de nossos editores e nossa preocupação com a imagem se tornou um pouco mais aguçada nessa edição: imagens maiores para ilustrar os textos (devidamente examinados por nossa comissão de qualidade) que são a essência dessa publicação

Há um ano passeando pelas mãos do público mais exigente dessa cidade, o Descontrole ainda continua com a intenção de se tornar um veículo de comunicação mais abrangente. Ainda não temos possibilidade de torná-lo melhor distribuído (todo o financiamento vem do bolso dos dois pobres editores e ainda não conseguimos patrocinadores). Dessa forma, deixamos aqui um apelo às boas almas do rock Campinas: toda ajuda será bem vinda.
E se você quiser contribuir com o zine mandando textos, matérias ou realizando alguma entrevista com personalidades da cultura pop, envie-nos seu texto por e-mail e ele passará por nossa comissão de qualidade. Se aprovado, você se torna um parceiro do Descontrole!

charme chulo


O rock, no Brasil, várias vezes juntou elementos da cultura popular para criar um som próprio, característico. A viola caipira, na canção 2001, de Tom Zé e Rita Lee (gravada em 1969 pelos Mutantes) flerta maravilhosamente bem com o som revolucionário de guitarras distorcidas. A canção vem anunciando um tempo novo, por um profeta que é, ao mesmo tempo, baiano e estrangeiro: “Dei um grito no escuro, sou parceiro do futuro, na reluzente galáxia”.

Numa viagem feita na velocidade da luz, chegamos à segunda metade da primeira década do terceiro milênio. A configuração da música desde o final da década de sessenta até aqui mudou muito. Hoje a música não chega mais num disco de vinil, de uma maneira que se possa palpar, mas vem feito bolha de sabão, por meio de um mecanismo virtual. E vem sempre reciclada, refeita, misturada.

A raiz brasileira aparece por aqui de novo, num rock que, dessa vez, vem lá da capital do Paraná. E a configuração da música aparece até mesmo no nome da banda: Charme Chulo. São uma espécie de Smiths caipiras. Como na referida banda, o Charme Chulo também tem por base a combinação do baixo e da bateria com um instrumento acústico. Ao invés dos violões que seguram a voz de Morissey, uma viola caipira é o alicerce para Igor Filus costurar suas letras em melodias bastante folk e, ao mesmo tempo, dançantes.

Além de Igor, a banda conta com seu primo, Leandro Delmonico, Peterson Rosário e Rony Jimenez. Já tem um disco gravado (lançamento em 2007) e um registro ao vivo realizado pela Grande Garagem que Grava. Composições como Mazzaroppi Incriminado e Polaca Azeda já viraram hits entre roqueiros mais antenados. Mas não é a gravação o ponto alto da banda.

No palco, o Charme Chulo apresenta um show vigoroso, com a presença bastante envolvente de Igor nos vocais.

Em abril desse ano a banda esteve em Campinas a convite do JB e Seus Amigos Sex Symbols. O show, realizado no Woodstock Music Bar, tinha um público pequeno, mas mostrou a força da banda curitibana. Alem das canções do álbum da banda, como Não Deixa a Vida Te Levar, A Caminho das Luzes Esta Noite, Piada Cruel e as já mencionadas por aqui, Charme Chulo realizou um cover de 2001, dos Mutantes, mostrando o potencial universal que uma música pode ter quando ela nasce “sem ter idade”. E a música do Charme Chulo, junto de outras bandas novas como Terminal Guadalupe e Violins, parece que veio pra preencher uma lacuna que o rock nacional tinha desde o desaparecimento de grandes ícones como Cazuza e Renato Russo.

Há a possibilidade de baixar algumas canções da banda no site oficial:

http://www.charmechulo.com.br/

p-project


Entusiasta da cena musical da cidade e amiga do fanzine DeSConTRoLe, Letícia Dario tem vários projetos rolando na cidade de Campinas. Ela, a Cris e a Letícia Moreli formavam a Supervix: “foi o projeto mais representativo no meu histórico musical, e da Cris também. Foi com ele que a gente começou a filtrar nosso público. Gravamos um demo com 6 músicas e tocamos bastante por Campinas”. Antes da Supervix, Letícia fez parte de uma outra banda importante para a cidade, a Papel de Parede: “foi o projeto mais longo até agora. Gravamos um demo, tocamos em várias cidades, mas acho que pelos diferentes pontos de vista sobre o mercado e mesmo o estilo, ela terminou. Foi uma escola pra gente, foi muito válido”. Agora, a Lê e seu baixo, junto com a Cris (bateria), a Fernanda (voz e violão) e o Henrique (guitarra) são o P-Project: “Bom, eu e a Cris estávamos meio perdidas depois do fim da Supervix, que foi um projeto muito importante nas nossas vidas. Eu já conhecia o Henrique através do estúdio onde trabalhei e sabia da vontade dele de tocar Pixies, mesmo sendo ligado mais à MPB. Um dia, numa mesa de bar com a Fernanda a gente comentou de tocar juntas e a idéia se concretizou. Foi automático e a sintonia musical foi imediata!”. A Fernanda Dias é cantora e compositora de MPB e o Henrique é uma das metades da dupla Taís e Henrique, que toca e compõe MPB, né? “Bom, a gente ‘roubou’ o Henrique da Taïs um pouquinho (risos)! Eles são amigões nossos, além de músicos incríveis. O projeto dos dois está firme e forte! A Fernanda é amiga deles há mais tempo e é da MPB também. Tem um CD solo lindo. Os dois se jogaram no Rock nesse projeto Pixies!”. Apesar da diversão garantida, formar e manter uma banda de rock numa cidade como Campinas não é coisa fácil: “É complicado ter uma banda nova, sem contatos e sem material. É importante criar vínculos, gravar um material de qualidade e ter bandas amigas que possam se ajudar”. Letícia acredita que os principais elementos da cultura pop campineira são as bandas, mas que, sem público, a arte não vai pra frente. Quais seriam as principais vias para que houvesse uma maior participação? “Não acho que Campinas tenha alguma característica diferente que favoreça a participação dos jovens, afinal são poucos locais para mostrar o trabalho e a maioria é segmentada por estilo, mas também acredito em eventos independentes como o Rock'n'Rosa”. Como é a “cena” em Campinas? “acho que Campinas se assemelha a muitas cidades do interior pela quantidade de jovens ligados a segmentos de rock mais antigos ou mais clássicos, como hard rock, progressivo ou heavy metal. Isso é construtivo, com certeza, mas não é comum ver um jovem andando com a camiseta do Of Montreal, do Metric, ou mesmo de bandas mais famosas como Weezer ou Libertines”. Além dos projetos já descritos, Letícia também participou da formação da banda Double Drink e, junto com a Cris, fez um set de Strokes Cover, além de já ter feito apresentações com amigos no projeto Rockacústico (que inclui os membros do P-Project). “A gente curte rock e cada segmento nos ensina algo novo. Não necessariamente o que é bom de ouvir, é bom de tocar”. Obrigado, Lê!

bemsuado

O Raphael chegou e eu já estava no balcão, tomando uma cerveja. A verdade é que a cada gole vinha junto um pensamento terrorista de censura (não sei o que está me acontecendo, mas toda vez que tento me divertir um pouco uma voz tenebrosa fica a repetir na minha mente: lei seca, lei seca...). Alucinações à parte, o carismático Raphael Castro disse acreditar nesse tipo de comunicação (o fanzine) e apresentou-me a uns amigos do Paraná, um deles, o cara mais alto, chamou-me a atenção por conta de uma camiseta com estampa dos Smiths. Os rapazes que me foram apresentados eram A VI Geração da Família Palim do Norte da Turquia. Quêêê??? Isso mesmo! A Família Palim, para os mais íntimos, é uma banda de Maringá (PR). Depois de um bom papo sobre música, comunicação, cidades e outros assuntos, os paranaenses foram afinar os instrumentos para a apresentação que se seguiria. Três guitarras, um contra-baixo e uma bateria eletrizaram a noite do Woodstock Music Bar com composições próprias falando de Islamitas, Católicos e Indies, no maior clima rock’n’roll-entre-amigos. O pequeno público presente, apesar de tímido, pareceu gostar do som da banda, ainda mais quando rolou uma versão brasileira dos Ramones. Logo em seguida, os nossos conterrâneos do JB e Seus Amigos Sex Symbols (a banda do Raphael, velho conhecido desse nosso texto), tomaram o palco e fizeram todo mundo, religiosamente, ficar bem suado. Não vou descrever o show (mesmo porque o espaço desse box já está acabando), mas quero ressaltar a importância do trabalho que o JB tem feito. Há um tempo a banda tem sido a ponte entre Campinas e outras cidades. Eles realizam um orgástico troca-troca rocknroll. Espera aí, deixe explicar-me direito: a banda vem pra cá e eles vão pra lá, numa espécie de intercâmbio que permite à banda de Campinas levar seu som para fora da cidade e traz para nós a possibilidade de estar perto de outras bandas, como a Família Palim e o Charme Chulo (sim, o Charme Chulo esteve aqui este ano – ver texto nesta edição). Iniciativas assim, merecem o aplauso dos roqueiros carentes da cidade. A única parte negativa é que com essa constante agenda de shows na cidade, aquela voz tenebrosa fica me assombrando toda vez que saio de casa: lei seca, lei seca... Xô, Satanás!
www.myspace.com/jbeseusamigossexsymbols